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A contemporaneidade do dom de línguas

As línguas estranhas não são resultado de um êxtase, mas de uma operação do Espírito Santo em conjunto com o espírito do homem.


Pomba, símbolo do Espírito Santo.
A contemporaneidade do dom de línguas

Esse dom é a expressão sobrenatural concedida pelo Espírito Santo em língua ou idioma não conhecido pelo falante (gr. glossolalia) e pode se manifestar de duas maneiras:

1 – Línguas congregacionais:No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete” (1 Co 14.27);

2 – Línguas devocionais: “Mas, não havendo intérprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus” (1 Co 14.28).

Um bom exemplo é a oração em línguas. O dom possibilita a expressão por meios sobrenaturais de línguas tanto estrangeiras como espirituais. Sobre o estudo de línguas, devemos nos reportar ao dia de Pentecostes, quando houve a primeira evidência desse dom, que se manifestou em línguas de dezessete países, os que estavam reunidos em Jerusalém para a festa de Pentecostes ouviam falar as maravilhas do céu em sua própria língua.

Alguns defendem que também houve manifestação de línguas estranhas nesse dia, mas, na verdade, é mais aceito nos círculos teológicos a manifestação de línguas estranhas na casa de Cornélio (At 10.44-48) e em Éfeso (At 19.1-6), pois nesses textos realmente fica implícito esse tipo de língua (Glossolália). No entanto no  dia de Pentecostes houve a manifestação de línguas humanas (Xenolália), mas, como um fenômeno sobrenatural.

Dom de Língua a luz de I Coríntios 14

Analisado minuciosamente à luz de 1Coríntios 14, o dom de línguas é derramado segundo o beneplácito da vontade de Deus (1 Co 12.31; 14.1;), tendo como principal finalidade a glorificação de Deus (1 Co 14.5) e edificação própria (1 Co 12.4a), diferentemente do dom de profecia, que edifica a Igreja (1 Co 12.4b). Esse dom deve ser exercido quando estamos realmente sentindo um gozo na alma, gerado pelo Espírito Santo, brotando naturalmente, num diálogo com Deus com vistas à edificação pessoal.

A língua estranha edifica apenas a quem fala

Quando oramos em línguas ou falamos conosco (1 Co 14.28), não existe a necessidade de interpretação, pois o texto é bem claro: “… falando consigo mesmo e com Deus” (1 Co 14.28). O apóstolo Paulo afirma que prefere falar cinco palavras inteligíveis a falar mil palavras ininteligíveis (1 Co 14.19). Esse era um dos problemas observados na cidade de Corinto. Eles tinham dons, mas não sabiam exercê-los com amor e submissão à doutrina (Gl 5.22;1Co 14.40).

Cuidado com o exagero no uso deste dom

Um dos maiores agravantes observados em algumas igrejas ditas carismáticas é o descontrole emocional, pois muitos, por falta de base teológica, acabam criando uma cartilha própria, a informalidade, em que são valorizadas mais as manifestações exteriores do que as interiores, o que acaba, indiretamente, abrindo campo ao emocionalismo exacerbado e epidérmico, gerando atitudes desconexas e com pouco conteúdo bíblico. Com o propósito de justificar suas atitudes, alguns afirmam que não conseguem se controlar quando falam em línguas, mas a Palavra orienta-nos que o espírito do profeta está sujeito ao profeta (1 Co 14.32).

Nosso espírito é sujeito a nós mesmos, e temos condições de nos controlar quando falamos em línguas no culto público. Quem age de forma contrária demonstra uma grande falta de conhecimento dessa doutrina.

Infelizmente nos dias atuais, alguns ministros esquecem-se de que é um dom sobrenatural, que vem do alto, e procuram levar o povo ao frenesi usando frases de efeito coletivo o que pode gerar o emocionalismo exacerbado.

O missionário Eurico Bergsten afirma: “Também não é sinal de grande espiritualidade gritar em línguas estranhas durante um culto”. A Bíblia diz: “… falando consigo mesmo e com Deus”.

Como foi dito, a Palavra de Deus não endossa o argumento de que o poder é tão grande que não é possível controlar-se. As línguas estranhas não são resultado de um êxtase, mas de uma operação do Espírito Santo em conjunto com o espírito do homem.

Contudo, quando exercido publicamente, em tom de voz alto, o dom necessita de interpretação: “E quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas, salvo se as interpretar, para que a igreja receba edificação” (1 Co 14.5). Deve haver uma profecia (1 Co 14.24,25, 29) para que os que ouvem sejam consolados, edificados e exortados no Senhor.

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Bacharel em Teologia e Jornalismo, especialista em educação e mestre em Teologia na EST. Escritor. Professor universitário e de matérias teológicas em seminários e faculdades. Atualmente mora em Portugal onde faz doutorado em Sociologia no ISCTE.

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